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O peso real da crise Argentina no Brasil

O peso real da crise Argentina no Brasil

No mês passado, acompanhamos uma notícia que parecia desesperadora: a Argentina resolveu declarar uma espécie de moratória ao adiar o prazo de pagamento de sua dívida de curto prazo.

 

A situação por lá é um tanto quanto dramática. Meses atrás, os “hermanos” recorram ao FMI e conseguiram um empréstimo de US$ 56 bilhões (o maior da história), prometendo uma série de ajustes que já não podem mais ser cumpridos. A desvalorização do peso em mais de 35% em apenas um mês ajudou a colocar o país vizinho em situação de insolvência.

 

E para completar, a provável vitória da esquerda nas eleições de outubro desencadeou, desde o resultado das prévias em agosto, uma fuga de capital comparável aos anos de 2001.

 

Aproveitando, vamos voltar no tempo e fazer uma breve retrospectiva:

 

Logo antes da crise de 2001, apesar da tentativa dos argentinos em fazer a sua lição de casa durante toda a década de 90, esse foi um período bastante conturbado: crise no México (1994), crise na Ásia (1997), crise das “Pontocom” (2000) e entre outras pedras no caminho.

 

Até que aconteceu o inevitável: em 2001, a Argentina foi ao FMI pedir empréstimo após declarar o maior calote da história até então: US$ 100 bilhões.

 

Evidentemente, com o seu maior parceiro comercial em crise, o ocorrido impactou fortemente a economia brasileira. Afinal, na visão do mundo, era a América Latina inteira indo ao colapso. O Brasil era apenas farinha do mesmo saco e a região inteira sofreu com uma grande fuga de capital.

 

Só que naquela época, a situação das contas externas do Brasil era bem diferente de agora.

Em 2002, com uma economia ainda frágil, o Brasil pedia socorro ao FMI pela última vez, enquanto enfrentava uma eleição que se mostrava complicada, a transição FHC-Lula.

 

Com a negociação com o Fundo Monetário Internacional, o governo conseguiu um acordo de US$ 30 bilhões de crédito, mas que foram usados apenas cerca de US$ 4,2 bi. Tínhamos um superávit primário de mais de 3% do PIB, ou seja, uma situação fiscal aceitável.

 

O país também tinha conseguido a estabilidade monetária após o Plano Real. Só que naquele momento, ainda não tínhamos fundos suficientes para pagar essa dívida externa.

 

Mas de lá para cá a situação foi se resolvendo: o Brasil acumulou US$ 370 bi em reservas, o governo federal não tem obrigações externas e nossa inflação está nas mínimas históricas.

 

Naturalmente, durante esses anos todos, a imagem do Brasil se desprendeu dos seus vizinhos. O país deixou de ser apenas uma potencia regional para ser enquadrado como um dos países mais promissores do mundo, ao lado de China, Rússia e África do Sul.

 

Já a Argentina nunca foi capaz de superar a crise do início desse século e recuperar a confiança de investidores. A sua insolvência criou até mesmo sérios problemas em Wall Street, com fundos abutre levando o caso a tribunal americano, dificultando a renegociação da dívida e a retomada de confiança.

 

É fato que a desaceleração argentina tem impacto para o Brasil, afinal é o seu maior parceiro comercial. Mas os números mostram que esses problemas já foram parcialmente digeridos: crescimento de 0,4% do PIB brasileiro no primeiro trimestre de 2019 e Ibovespa nas máximas históricas (no dia que foi noticiada a “moratória” da Argentina, o Ibovespa subiu 2,4%).

 

Agora, com uma economia mais madura e sólida, o pesadelo argentino não será um pesadelo por aqui. No máximo, teremos um breve sonho ruim que, se a nossa situação fiscal fosse melhor, seria apenas um susto de meio de noite.