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Apesar do susto, o mês de agosto vai deixar saudade.

Apesar do susto, o mês de agosto vai deixar saudade.

O último mês de agosto foi marcado por fortes oscilações no mercado. Foi um pequeno teste para cardíaco, pelo menos para alguns investidores que não gostam muito da volatilidade.

 

Entre a máxima e a mínima do mês, o Ibovespa atingiu 104.848,18  e 95.855,30 pontos respectivamente. Uma verdadeira montanha russa com amplitude de 9.000 pontos.

 

Mas durante quase todo o mês, o mercado esteve mais colado nas mínimas do que nas máximas. Apenas nos últimos dias que foi possível ver a recuperação.

 

De uma forma geral, tiveram 3 grandes acontecimentos que explicam essa forte movimentação no mês de agosto:

 

  1. Guerra comercial EUA – China
  2. Crise (eleições) na Argentina
  3. Queimadas na Amazônia

 

Entre os 3, o destaque fica para o primeiro. Afinal, o mercado está mais sensível ao Twitter de Donald Trump do que dados macroeconômicos ou resultados corporativos.

 

Essas 3 passagens ao longo do mês provocaram uma forte fuga de capitais estrangeiros do Brasil: uma baixa de 12 bilhões de reais no período.

 

Mas mesmo com essas saídas, o fechamento de agosto do Ibovespa foi de -0,67%. Uma queda tímida dado o dinheiro que saiu de estrangeiros do mercado.

 

O curioso é que essa fuga de capital só é comparável a 2008, ano em que a bolsa teve uma queda de mais de 41,22%. Somente em 1992 o resultado foi pior (-44,42%)

 

O mesmo mês de agosto em 2008 registrou uma saída acumulada de R$ 16,5 bilhões de estrangeiros, na iminência da bolha imobiliária nos Estados Unidos. Naquele mês, o Ibovespa teve um resultado de -6,43%.

 

Quer dizer, um tombo considerável.

 

Mas o que explica essa queda mais contida do mercado em agosto de 2019? Como o Ibovespa se manteve quase no mesmo patamar do inicio do mês, mesmo registrando uma fuga de capitais de ordem de grandeza similar a agosto de 2008?

 

A resposta é simples: a nossa nova demanda interna por ativos de maior risco.

 

Com a taxa Selic na sua mínima histórica de 6%, os ativos mais conservadores deixaram de ser tão atrativos pela sua baixa rentabilidade. O brasileiro estava muito acostumado com a renda fixa de baixo risco remunerando 15% ao ano.

 

Mas os tempos mudaram. Esses investidores passaram a ver no mercado de ações a sua oportunidade de manter rentabilidades gordas nos seu portfólio.

 

Ou seja, a saída do investidor estrangeiro foi forte. Na verdade, muito forte em tão pouco tempo. Mas a queda do Ibovespa foi muito pequena perto do que se observou em passado recente.

 

O investidor interno absorveu essa saída.

 

Por falta de opção mais rentável ou não, o fato é que tivemos uma migração da renda fixa para ativos mais arriscados nas carteiras dos brasileiros. Essa migração ocorre de maneira direta para bolsa ou via fundos multimercados, que em sua grande maioria estão comprados em bolsa.

 

Essa massa de investimentos de renda fixa indo para ativos de maior risco está apenas começando. E essa saída do investidor estrangeiro não será eterna.

 

Enquanto agosto de 2008 era o início de uma catástrofe, temos fortes motivos para acreditar que agosto 2019 foi o início de um novo rally de altas.

 

Tudo indica que teremos saudades dos preços baixos desses dias.